03 maio 2017

Séries: 13 Reasons Why


Bati de caras com uma série nova. Não a apanhei nos seus melhores momentos, aliás, apanhei-a ao acaso, espalhada por imensos blogs, sites e até pelas redes sociais com comentários pouco animadores. Eu compreendo. É uma série completamente fora do normal. Palmei 10 episódios num dia e os finais noutro. A ideia da ~morte~ leva-nos para um assunto que mexe connosco. Pior ainda se o assunto for sobre uma adolescente que acabou com a sua própria vida, porque encarou com as pessoas erradas desde que chegou à escola nova. Mas é essa a história da série, como todos (ou quase todos) sabem: Hannah Baker deixou 13 cassetes com as razões que a levaram ao desespero total e à sua morte.

Eu sei, as pessoas gostam de partilhar coisas felizes nos seus blogs, mas já pararam para pensar sobre as coisas tristes que nos levam a ver o lado feliz da vida? Ou melhor dizendo, as pessoas, as acções, as palavras que nos levam a ver esse lado? Aposto que poucos já fizeram essa reflexão e já pensaram que os outros ao verem como ultrapassamos os nossos momentos maus podem tirar ideias para sair dos maus momentos deles.

Não tenho tido os melhores anos da minha vida, mas tenho tido as pessoas certas comigo e só elas já têm ~feito~ esses anos valerem a pena. Sempre me disseram que um dia ia contar os amigos pelos dedos e acho que estou a chegar lá. Quando mais precisei, descobri depressa ~quem sim~ e ~quem não. Apanhei muitas desilusões. Sofri um pouco nos anos de escola. Mas hoje... a minha caravana é mais pequena, embora seja mais feliz! Sim, a felicidade pode ser partilhada. Cara a cara. Esqueçam lá as redes sociais e blogs todos cor-de-rosa, essa treta não vos leva a lado nenhum, apenas vos obriga a serem quem não são. Vivam a vida, é simples ou não?

Voltando à série. Quantos pais não dizem eu sei o filho que tenho e na realidade passam a vida a achar que o filho é melhor do que aquilo que realmente é ou que é pior do que o filho de fulana quando o outro é 1000 vezes pior e eles não sabem? Imensos, aposto. Quantos ~conhecidos~ temos na escola? No trabalho? Na nossa terra? E amigos a sério que nunca nos tenham apunhalado, gozado ou humilhado? Pois, contam-se pelos dedos. A Hannah achava que tinha muitos e nada. Ela bem tentava, mas nada. E a série faz-nos andar num loop de acções erradas (embora algumas tão idiotas como incluírem o nosso nome numa lista estúpida - quem nunca passou por isso na escola?) e palavras mal entendidas em situações aleatórias.

Eu sou uma rapariga reservada, sempre fui. Solto-me com os meus amigos, mas sei ficar no meu canto. Há muitas coisas que me magoam e eu guardo no cofrezinho. Há muitas coisas que me deixam feliz e eu tenho dificuldade em deitar cá para fora. E sou o tipo de pessoa que por vezes tenta brincar sobre algo/alguém e a outra pessoa, por muito bem que me conheça, acha sempre que estou a fazer pouco dos outros. Isto transporta-me um pouco para a situação que a série mostra: quantas vezes dizemos algo com um significado e os outros entendem de forma diferente? Ou da forma que lhes convém ver? Porque é que assumimos de ante-mão que os outros falam de certa forma ou que nos tratam de maneira diferente? Porque é que passamos mais tempo a pensar sobre o que fulano faz ou diz? Porque é que não reflectimos mais sobre os nossos actos?

Li tanta coisa sobre a série e nem eu sei bem o que pensar sobre ela. Porque aí está a chave disto! A série é de adolescentes para causar exactamente o impacto que ~precisa~ causar: alertar os jovens de hoje em dia para um problema real. O suicídio é real. O bullying é real. A maneira estúpida e egoísta como nos tratamos é real! E precisamos ser alertados para isso. Precisamos prestar mais atenção aos nossos e a quem nos rodeia. Quem nos diz que não podemos ser a ~razão~ de viver de alguém e que para isso basta um sorriso ou um bom dia? Ou talvez estejamos a ser a ~razão~ que magoa alguém, porque proferimos as palavras erradas? Porque é que não ajudamos mais? Falamos mais cara-a-cara? Porque é que gostamos uns dos outros e dizemos isso tão poucas vezes? É estupidamente intrigante como é que uma série nos consegue deixar tal turbilhão na mente, mas é disto que o mundo precisa. De ser cruamente alertado.

A vida é um ai. Ultimamente isso tem-me sido literalmente esfregado na cara. Perdi os meus e arranjei forças para me levantar. Mantive o pé firme perante um monstro que nos assombrava. Tentei encontrar a felicidade mesmo ali, debaixo dos meus olhos, em tudo o que o nosso dia pode ter de bom. Seja o raio de sol na janela. Seja o passarinho a cantar. Aquele avião que deixa um rasto diferente. Eu sei lá. A vida é tão boa e tão escassa. Ainda no outro dia eu estava no 1º ano de universidade e agora que me dou conta já lá vão 6 anos! Não nos adianta de nada sermos maus e egoístas. Vou perder tempo a ser má? Não. A vida tem de ser leve para ser levada e eu trabalho nisso todos os dias. Também falho, mas ao menos tento.


Quem ainda não viu a série, aconselho vivamente.
Quem já viu, que me conte o que achou.

3 comentários :

  1. Quero ver se começo a ver essa série, falam tão bem dela!
    Já agora segui o teu blog, convido-te a fazeres o mesmo :D

    Beijinhos,
    Dezassete  | Instagram | Facebook

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. As pessoas falam bem dela, porque a compreendem. Acho que é aí que os produtores querem que o público chegue. Mudar as mentes das pessoas e fazê-las perceber que tudo tem consequências.
      Thanks ;)

      Eliminar
  2. Eu também falei no meu porque adorei a série. Queria sempre ver mais. Vi mil histórias na minha cabeça e revi a minha juventude em outras tantas. Achei super interessante, real, forte e directa.
    O que gostei foi de a ter visto sem ler nada sobre ela antes. Foi muito mais surpreendente.
    Não sei se te aconteceu, mas cheguei ao fim com tantos porquês para desvendar que dá para pegar ali em muita coisa, no caso como se fala de uma segunda temporada.

    ResponderEliminar

UP!