Até um dia, meu amor

09 maio 2017


Este é o Scott. Para mim é o Cott, Titos e Tincas. Tinha 9 anos e meio e é, para nós, o cão mais amado do mundo. Partiu no domingo, da forma mais dura que eu alguma vez pensei ver o meu pequeno partir. Não foi da idade, provavelmente nem da doença, mas quem sabe?


Quando apareceu aquele anjinho numa caixa de sapatos com apenas 2 meses, nunca pensei que ele seria o primeiro cão a entrar em nossa casa (temos um grande quintal e mais nenhum foi autorizado a entrar). Nem a dormir na minha cama de socapa. A acordar-me todos os dias às 7h30 com uma lambidela. Nem a ser tão apegado a todos nós. Mas assim foi e ele era tão inteligente e educado que a vida nos levou a tê-lo como eterno, a falar com ele como se fosse um pequeno humano e a dar-lhe todo o amor e mimo do mundo. Tão bem merecido e retribuído, porque o amor dele era enorme.

Sempre que ia ao vet, alertavam-me para os perigos da displasia da anca, por causa do excesso de peso, mas nunca me falaram de todos os outros perigos e doenças que são comuns e mortais. Nunca me disseram que se ele comesse depressa demais e tivesse uma dilatação do estômago que eu tinha de ir a correr para as urgências, como fui há 3 anos. Lá disseram que ele podia ter morrido, mas se voltasse a acontecer, ou a operação corria bem/mal ou morria sem lá chegar.
Também não me disseram que se o fígado falhasse, ele ia ficar diabético. Aliás, cães diabéticos nem era algo que eu tivesse conhecimento. E o Scott foi diabético no último ano, levando insulina 2 vezes por dia e sem se queixar, coitado.

E é sobre isso que eu escrevo hoje, quero alertar mais donos de cães médios/grandes que os perigos são muitos para os nossos pequenos. O Scott esteve super mal há 3 anos e eu pensei que o perdia, mas a idade pesou e o fígado deu de si. O meu pequeno era diabético, não pelo que comia, mas porque o fígado dele ~avariou. Pode acontecer a qualquer um, mas ninguém fala sobre isso no veterinário.

No sábado tivemos um dia tão bom. Os cinco em casa: eu, os meus pais, o Scott e o velhote Piloto. Fomos ao café com ele, fomos passear um pouco a pé, brincámos, demos miminhos como sempre, ele viu o G, o meu irmão e a pequena MF. Foi um dia tão cheio de coisas boas e que acabou com uma tragédia: a barriga do Scott voltou a inchar... tanto que ele deixou de andar. Nada previa aquilo! Foi decisão dos meus pais não chamar ninguém e eu não tive como dizer o contrário, não sou eu que mando. Despedi-me dele nessa noite, porque não aguentava vê-lo assim e fui embora para a casa do G. Dei-lhe um mega abraço, beijos, miminhos e até amanhã ou até um dia, meu amor. Acordei no domingo com a notícia e o meu coração caiu-me aos pés. Nos últimos dias temos chorado imenso, sentimos a falta dele por todo o lado da casa/quintal. A ~sombra branca~ não está ali ao nosso lado, a seguir-nos, a pedir comida, a pedir mimos, a visionar tudo o que fazemos e a caminhar comigo.

Porque é que vos conto isto? Por eu não sabia que os cães médios/grandes tinham este problema do estômago dilatado nem do fígado. Não sabia da gravidade disto até passar por todos estes problemas. Não sabia que amava tanto um ser tão puro como este. Não sabia que a perda era tão dolorosa. Nunca imaginamos como é, até sentirmos na pele e eu sinto-me triste, só, mais pobre e em parte culpada de algo que eu não consegui dominar/saber o que foi. Porque o meu pequeno não merecia ter sofrido tanto. Não devia ter passado uma noite assim, mas passou.

Por aqui a vontade de ter mais um cão não é nenhuma. Foram quase 10 anos de muito amor e agora preciso recuperar e não deixar o velhote Piloto chegar à depressão. Sim, porque ele perdeu o ~maninho e agora precisa de muito mimo e brincadeira, anda tão ou mais triste que nós, que chego a ter medo dos seus 15 anos o tramarem.

Só vos peço, olhem mais pelos vossos anjos, prestem atenção a todas as mudanças e amem-os muito. Porque eles vão sempre amar-vos.

6 comentários

  1. Oh Vanessa...um grande abraço e um beijo. Sei o que é estar nessa posição - ver os nossos pequenos partir assim destrói o coração. Fizeste o que podias. Infelizmente, por muito que os queiramos ajudar, sei que às vezes não é possível, então...fica com a certeza de que o amaste e que ele te amou, como só os nossos bichos sabem fazer. <3 vais ver que o tempo vai filtrar e deixar as boas memórias para as recordares no futuro!

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    1. Acredito que um dia isso seja possível, mas por enquanto os dias andam negros. Quero muito ir trabalhar para aliviar a cabeça, depois só quero ir para casa porque preciso de espaço, mas no fim lembro-me que tudo em casa me lembra dele. O acordar, o sair e chegar a casa, o comer, o caminhar, o ir ao café. :( Está difícil, mas espero superar depressa esta fase. ♥

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  2. Oh princesa.... muita força :(
    Sei bem a dor de perder os nossos bichos. E é uma dor insuportável..
    Mas apesar da demora, a dor vai acalmando. Mas nunca passa...
    Coragem princesa 💛

    Beijinhos,
    www.pirilamposemarte.com

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  3. Arrepiámo-nos ao ler o teu texto... É tão verdade! Muita força!!

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  4. sandradias12/05/17, 14:51

    Vanessa muita força é o que transmito até me vieram as lágrimas aos olhos, pois sei o que isso é pois perdi o meu patudinho há 1 mês e meio e não tem sido fácil, todos os dias, minutos, horas me lembro dele e as saudades são cada vez maiores e ele faz-me muita falta em todos os aspectos, era como um filho para mim e ainda hoje sofro muito com a partida dele e esta dor é muito difícil de passar, mas não o esqueço nunca e está no meu coração para sempre. Muita força e beijinhos da Sandra.

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  5. Vanessa, arrepiei-me do início ao fim. Tenho uma gatinha com cerca de 9 meses que encontrei na rua e não imagino a minha vida sem ela. Lamento mesmo a tua perda. Eles são MESMO parte da família e é difícil quando caímos na real e nos lembramos que eles não duram para sempre. Um beijinho grande e força!!

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© let's do nothing today por Vanessa Moreira.