23 janeiro 2017

Evitamos falar de amor


Por vezes queremos gritar aos sete ventos aquilo que este sentimento nos permite sentir, em todos os aspectos, mas sabemos que ao fazermos isso há sempre alguém, mesmo que sem mal nenhum, que sente inveja do que sentimos.
Crescemos com a ideia de que tudo o que é bom deve ser guardado para nós, para que ninguém possa estragar. Não que eu ligue muito a isso, mas prefiro manter a distância e não permitir que nada se intrometa entre mim e a minha felicidade, ficar na minha paz sem que ninguém me venha encher os ouvidos.

Quando comecei a namorar, inúmeros casais espalhavam o seu amor pelas redes sociais e eu nunca achei que tinha necessidade disso. Não só por não ser muito dessas demonstrações de amor em público, como também sou da opinião que as pessoas não têm de saber tudo sobre nós, muito menos no que diz respeito à nossa vida privada, ao nosso relacionamento.

Evitamos falar de amor, porque não queremos que ninguém estrague o melhor sentimento que temos na nossa vida, mesmo assim ainda há quem goste de esfregar na cara dos outros toda a sua felicidade, todas as demonstrações de amor e as redes sociais estão cheias disso. Se é numa de querer provar algo para alguém, não sei, mas que às vezes se torna excessivo, lá isso torna.
Já vi muitos casais apaixonados que rapidamente desapareceram, deixaram-se. Ainda mal namoram há 1 mês e já sabem o significado de um ~amo-te. Lembro-me bem que sempre foi a palavra que mais me custou dizer, que eu mal sabia o que era sentí-la por alguém que não era da minha família.

É fácil dizermos que gostamos de alguém ou de algo, que adoramos alguém ou algo, mas amar? Isso é muito profundo para se afirmar assim, de ânimo leve. Como é que as pessoas banalizam tanto uma coisa tão poderosa? Como é que não conseguem medir aquilo que sentem? Isso sim faz-me confusão.

Falar de amor ainda é ~tabu, embora muita gente ainda faça do ~amor uma coisa banal.

10 comentários :

  1. Acho que às pessoas hoje em dia acabam por viver algumas relações com mais intensidade mas menos profunidade. As coisas acabam por perder o valor, especialmente porque vivem para o que os outros acham e não para o que sentem. A felicidade também deve ser vivida com pés e cabeça, isto é, devemos vivê-la ao máximo mas nunca nos podemos esquecer que é um caminho e não uma meta e que obviamente não é eterna. Acho que quando as pessoas partilham tanta coisa, das duas uma: ou é para provar algo ou então acabam presas à ideia que será assim para sempre e quando chega um dia menos feliz, desistem e acusam os outros!

    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

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  2. Cada vez mais os casamentos vão desabar em divórcios. Cada vez é mais normal um namoro que era amor e amor, mas, no final, acabou num só mês de duração. Achamos isso ridículo! Nós demorámos talvez um mês até começarmos a namorar. Nem nos lembramos de quanto tempo demorou até dizer amo-te, mas sabemos que foi a vez que o dissemos de forma mais sentida. Sabemos que não o proferimos em vão. Habituámo-nos a guardar para nós, não porque achemos que os outros possam estragar, mas porque é tudo nosso e gostamos de manter isso assim. No entanto depois aventurámo-nos no blogue, que é público... Mas para nós muito privado. É por lá que nos expomos e habituámo-nos a isso naturalmente. Achamos que 4 anos já são muitos anos para nos podermos por em aventuras mais profundas. Ainda assim ainda há coisas a aprender, como vai haver sempre. O problema é que as pessoas se habituaram a largar o seu brinquedo favorito para logo usar outro. Nós somos do tempo em que os brinquedos foram os mesmos preferidos desde sempre. Com remendos, ou mesmo partidos, eram nossos e mereciam o nosso carinho. Hoje continuamos a apostar nisso. Por isso achamos que, ao nos aventurarmos a ser o brinquedo um do outro, então tem que ser para sempre!

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    1. Concordo plenamente. Apesar de vocês terem um blog, isso não muda grande coisa. Eu falo muito pouco do meu moço por aqui, evito mostrá-lo porque isto é meu e não é dele, mas até pelas redes sociais evito expôr muito a coisa. Tal como vocês, vamos a caminho dos 4 e para nós já é muito tempo :D

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  3. Não faz sentido viver sem este sentimento...

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  4. adorei, adorei, adorei e concordo completamente
    acho que as pessoas usam a palavra "amo-te" tão facilmente, para mim, assim como para ti, é das palavras que mais me custa dizer, aliás só a consigo pronunciar quando sei a 100% que é isso que estou a sentir
    otimo post já estou a seguir

    http://umacolherdearroz.blogspot.pt/

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  5. Evitamos falar do que nos magoa, evitamos gritar que estamos felizes com medo que alguém estrague.. e assim se passa a vida.

    Adorei o post, segui-te *

    thebrunettetofu.blogspot.pt

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    1. É verdade, não se fala quando estamos mal, porque não queremos a pena de ninguém e não falamos quando estamos felizes, porque não queremos a inveja dos outros x)

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  6. Muito interessante este texto!

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  7. Tenho visto tantas pessoas banalizando o amor, acho um pouco assustador. Talvez porque, para mim, o amor é algo delicado, que não precisa ser super-exposto, apenas sentido intensamente. Adorei a reflexão do post!

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